| O Estácio dos Bambas e do Samba | ||
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A EVOLUÇÃO DO BAIRRO ESTÁCIO DE SÁ Na primeira década do século XX, as obras de remodelação da cidade do Rio de Janeiro promovida pelo Prefeito Pereira Passos, conhecidas como o "bota-abaixo", obrigaram a população que habitava os velhos cortiços a subir os morros da cidade em busca de moradia. O Morro de São Carlos foi um dos preferidos devido à sua proximidade do centro da cidade. O antigo caminho de Mata-Cavalos, então, viu passar levas de pessoas oriundas das mais diversas procedências, entre elas aquelas que formavam verdadeiras colônias de descendentes de escravos das mais diversas nações africanas que povoavam o Rio de Janeiro. A favela unia povos que o sectarismo religioso mantinha afastados quando moravam nas cabeças-de-porco da velha cidade colonial e esta união misturou num mesmo espaço negros de origens banto, iorubá, muçulmano (muçurumi) e outros povos de origem africana também procedentes de diversos estados do País. E isto foi fundamental para que ali, no Largo do Estácio - para onde convergia todo esse povo expulso pelo "bota-abaixo" -, que as culturas afro-brasileiras puderam se mesclar criando a base da moderna música popular brasileira: o Samba. |
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Não
somente povos de origem africana foram morar no Morro de São Carlos.
Trabalhadores menos qualificados, empregadas domésticas, vendedores
ambulantes, trabalhadores autônomos que, a exemplo dos antigos negros
de ganho, vendiam seus serviços sem qualquer vínculo trabalhista, e
outros. Entre esses "outros", alguns membros de uma categoria
não muito bem vista pela sociedade, que batalhavam ali pertinho, na
zona do Mangue, que para o Estácio e Morro de São Carlos também
imigraram. Com elas, vieram os malandros, rufiões e gigolôs. O bairro
Estácio de Sá ganhava nova dimensão. |
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O COMPLEXO DE FAVELAS DO ESTÁCIO As comunidades do Estácio são consideradas as favelas mais antigas da Cidade do Rio de Janeiro, sendo que sua ocupação remonta ao início do século XX, época do "bota-abaixo", incrementada com o deslocamento do povo que vivia no Morro do Castelo, demolido na década de 1920, e pela população desalojada com as extinções de ruas para a construção da atual Avenida Presidente Vargas, na década de 1940. São Carlos, Mineira, Zinco, Larguinho, Querosene, Fogueteiro, Coroa, Turano, Fallet, Prazeres e Escondidinho formam hoje o complexo de favelas do bairro Estácio de Sá. O bairro do Estácio foi ocupado inicialmente por imigrantes italianos, loteamento feito pelos herdeiros da família Santos Rodrigues, que ali tinha uma chácara. Posteriormente, pessoas que foram despejadas de suas casas no centro da cidade ocuparam o Morro Santos Rodrigues. Com o passar do tempo, levas de imigrantes de todas as partes do Brasil escolheram o Estácio para suas moradias no Rio de Janeiro. Às comunidades negras agora somavam-se as tradições populares nordestinas e seus folclores. O Estácio era um manancial de culturas. |
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O lugar, que era uma verdadeira metrópole ao reunir num mesmo espaço gente das mais variadas procedências, soube unir essas culturas e extrair de cada uma delas os elementos que as distinguiam para gerar uma arte única, suis generis, juntando numa mesma melodia o sensual toque ijexá, a dançante batida dos atabaques da curimba banto, a vibrante sonoridade das caixas de guerra, que davam um som de marcha próprio para os desfiles dos blocos, e as marcações dos surdos, estes dois últimos instrumentos trazidos pelos negros que faziam parte de bandas militares. O Estácio se tornou o espaço democrático para onde todos convergiam. |
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